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sexta-feira, abril 09, 2021

Outro mundo é possível

 
 
Estudo Ser Virtual 8 – Desenho a esferográfica sobre papel almaço 
– 29.5x20.5 – Pasta Estudos I – 2020

 

 
Estudo Ser Virtual I – Desenho a grafite sobre papel almaço 
– 29.5x20.5 – Pasta Estudos I – 2020


GAZETA DE POESIA INÉDITA

05
Abr21
 

ADÃO CONTREIRAS - CALEIDOSCÓPIO

 


Vertigem
Quando a sombra do desejo abarca a tormenta

Viagem
Se a noite permanece quieta e doce e gloriosa

Vestígios
Quando o eco do amor ainda sustem as abas da amargura

Vórtice
Lingerie nas montras das apps e das gargantas fundas

– assim a dúvida sustida dos inacabados séculos ante a doença
 das manhãs incríveis e o ardor das flores silvestres
 
 
 
 

sábado, abril 04, 2020

Outro mundo é possível


 Outro mundo é possível XVII



GAZETA DE POESIA INÉDITA



04
Abr20

ADÃO CONTREIRAS - DAS PALAVRAS SEM ABSOLUTO

 
Pequenas
Doces
Perfumadas
Encostadas a um inverno de cabeceira

Rolam

Trazem a alegria no ventre
De manhãs rústicas

Urze
Oliveira
Folhas
Verde
Alfazema

Vestem o silêncio dos acontecimentos

Prisão
Dor
Trabalho
Cegueira

Para que do seu murmúrio subam ao íngreme deserto

Rastejam
Assobiam
Escondem-se
Inventam-se

No subsolo dos passos trémulos
Delirantes de um orgulho sem memória

Infectam
Mijam
De raízes ácidas
Vomitam

No cuspo silente e doloroso
A voz estremece

No ar fica uma nuvem de sentinelas
Combustão do corpo alado

Urze
Oliveira
Folhas
Verde
Alfazema

Beber
Construir

https://gazetadepoesiainedita.blogs.sapo.pt/adao-contreiras-das-palavras-sem-184032





sexta-feira, maio 24, 2019

Outro mundo é possível

Outro mundo é possível VII

GAZETA DE POESIA INÉDITA

20
Mai19

ADÃO CONTREIRAS - AS PALAVRAS VÊM DEPOIS




Teu corpo
Uma luz que reverdece
                            matéria e cansaço
Uma aranha de dúvidas
                           animal reverberando no azul
Doença com alegria e chuva
                           espaço dilatado


Uma coisa assim, o corpo
                        ninho incolor
Fibra ruinosa e quente
                        lençol doído de véspera
Uma coisa assim, dedo
Que aponta
                        lua de mel e gripe


Cantar o corpo
O cinzento amolecido das manhãs
                         dor perfeita com voz
Lençol amachucado sem flagelos
                        dilúvio singelo de sons
Teclas  do amanhecer
                        vigília sonora

As palavras vêm depois
                     e  acende, uma coisa assim






quarta-feira, janeiro 03, 2018

Poesia


GAZETA DE POESIA INÉDITA



23
Jun18

ADÃO CONTREIRAS - NO GRAVE SOCALCO

 No grave socalco

embandeiram  as nobres flores
entre o ser e o seu nó côncavo
o amarelo limão oscila

adormecido na tristeza oca
embutido de raízes
velhas âncoras
o sólido degrau  cai

as pequenas hastes velejam
cântico balançado
loucura gracejando ao vento
de nervosa angústia de água

calculo a verdade do tempo limão
que me leva da raiz à flor
na aziaga nudez do fortuito amarelo 

brinda a culminância das núpcias
o dorso da inquieta penetração da luz
o lume, o incêndio moço da vegetação
debruando  a orla das muitas pegadas