segunda-feira, junho 18, 2018

O algoritmo da palavra



As sombras do poeta

Alto vou
oceano de escamas sonoras
sereno cântico de lascas de prata
terra dura e demora

Alto vou
ondular do crepuscular azul
escuro esperar da aurora

Alto vou
íngreme tecedeira tecendo rosas
na escuridão, outeiro corpo
mãos e sal sombras abrindo


Alto vou
rústico rubi decantando
halo que embebeda a voz

Alto vou
rosto de acrílico pesar
esfinge do quebrado olhar
por baixo das nuvens de alecrim

Alto vou
             um aqui
um agora
                   fogem olhos na luz do mar



quarta-feira, maio 23, 2018

O algoritmo da palavra




O Inframundo melancólico
               roçagar de sedas

O azul maléfico das metáforas
               vinho adormecido

O corpo sem cabresto
               língua de fora do ecrã  

Os olhos vermelhos das espadas
               verdes campos costurados

O sangue azul dos insectos
               clepsidra do otário tempo

As flores que nos esperam
              roubado ventre ao sol

 O lado oculto do pão
               poeta com faca nos dentes



segunda-feira, abril 30, 2018

O algoritmo da palavra




Êú não sei o que dizer, pronto estava querendo falar do meu ser de menino, nesse êú antigo onde dormia e acordava tranquilamente; o êú que tinha a fantasia de uma bola de cristal por onde via as sombras de mim subindo em animados fontanários; hoje quero voltar ai, de onde este sítio desfalecido até àquelas margens sem cansaço e com olhos grandes de ver amendoeiras, pinheiros e ninhos de pássaros com seus ovos mesclados de pintinhas coloridas; pergunto onde estará esse êú, que quero animar-me de vê-lo, o que fez com a sua trança de tempo, se é que amareleceu de um estio invernoso e se pasto é de mim ainda
Êú quero singrar na avenida aberta desta comoção que me leva ao dólmen dos meus braços, quando ainda de gatinhas pisava os arabescos do que por ai apalpava, - se ê ú agora for de mãos dadas a esse meu encontro, que silêncio de não encontrar ai algum êú, nem mesmo na esquina do meu olhar, - sei agora que no berço pairava um pequeno fogo de revolta, uma acidez de choro birrento, mau génio de rabo levantado ungido de desejos travessos, - meu corpo será de uma fofinha carne, talvez já meu êú questionasse o porquê de não voar se era pássaro na gaiola
Daquele nimbo de fofinha carne dizem-me que danado me agarrava às maminhas de mulher amiga, e gulosamente as chupava, quando ainda escurecido o ê ú se encontrava na tépida macieza da pele, - estava lá afinando minha gula de pequeno vampirinho sugando a natada, mas nada disso recobra claridade, o êú era ainda aquele nada do coração que bombeia e não palpita, ânsia com sono de terra lampejando, foragido carocinho da líquida sala da mãe, e se calhar era já fome do ê ú escondido nas rosadinhas faces, - chegado aqui, olho e tudo foge, como se nada tivesse sido, nem caroço
Do meu ê ú pequenino restam esmorecidos fogachos, nem azulados tão pouco, de amolgada lembrança, - será que ê se esconde debaixo da pala mental, e ú assobiando passeia de lá para cá em contraluz de mim? - onde procurar meu ê e ú senão na fofinha drenagem do fechado cérebro ou no sangue que o levou ao coraçãozinho, logo vejo que ê ú não é pessoa mas duas letrinhas apenas e que fazer com duas letrinhas acachapadas à janela do coraçãozinho estando perplexo, -  o êú quero mesmo se mudo e não mais duas letrinhas for na garganta cabrita, - quero meu êú mesmo que só lânguido velar no choro perdido no tempo  

  

sábado, abril 21, 2018

Anos 10

 os músicos -5-
Cantaloup Olhão 2017
 Desenho
apontamento a grafite sobre papel
                                              21x14.30



domingo, abril 15, 2018

Anos 10

 os músicos -4-
Cantaloup Olhão 2017
 Desenho
apontamento a grafite sobre papel
                                              21x14.30



sábado, março 31, 2018

O algoritmo da palavra



Só ave é que voa e avião não tem penas


Dadá ou Dada, o dadaismo conceito e movimento, - dada, fala da criança, a palavra ocasional encontrada no dicionário, - dada dá, fala iniciática, som primordial, - o som e a palavra, o sónico signo, da voz, -  eu, tu e ele, - eu? eu açúcar, eu banana, - eu açúcar? casca de ovo fantasia e passarinho, - a casca cascava o ovodesascado, - casca que é cê, á, éss, cê e á com um pouco de nariz, nasalado casqâh, - nada de odor, fossas nasais sem dor e odor, - cás gutural, ca nasal, c(á)sqâh, - o sónico soar das palavras, a palavra som na mente insonora, - o eu músical, - ê e ú, êú, - ú sem  ê,  u, - o ê, o ú, e o êú som de mim, mim de eu e eu de mim, - mim? – ém, iii ém; - eu próprio, pró-pri-ú  o adjuvante  de mim - ém, iii ém, e êú voz sombra em ém iii e mê,  ouvindo êú nasalado no nariz de mim, eu mesmo,- mê, ês, mê e ú, mesmúo, - mimmesmo e ú êú de miiim, eu mim mesmo e ú êú antes de mim? ovo e galinha ave, - á, vê e ê, a ave fonema em mim sem galinha, percussão vocal em êú, - voo sem galinha, voo sonoro, - sú, nó e rú som de mim, êú voo sem ave, eu áhvvee só som de mim, - á, vê e ê com asa, que voa, voar do pássaro, pê e á pá, ssâ, ér e ô ru, pássârú sem ave, o som pássârú passa em mim soando, soa o lastro afagado  de eu ouvido de mim cá dentro do peito, caladamente musical e coisa que é passado pelo arco do obtuso vicio de ser que, se é coisa, é som do êú alapado em ém, iii ém  o querer de ser aurora limão ao luar, - que o sonar de pássârú é pá paladino, ssã  é molesa do coração e rú conota meu sonhar de o luar de meu sonho de limão, e êú quando digo amo-te, que é âh, mê, ú e tê mais ê, anoto que sinto a cereja caindo no chão, do âh que é árvore, mê que redondo rebola, ú que rubra, tê e ê que embate e quebra no chão que penso, e 


bengala

         é homem nu ao sol na praia


Benguela

         é mulher nua ao sol na areia


Trump

         é buraco negro



o som da palavra  não diz do seu significado, só ave  é que voa e avião não tem penas