sábado, abril 21, 2018

Anos 10

 os músicos -5-
Cantaloup Olhão 2017
 Desenho
apontamento a grafite sobre papel
                                              21x14.30



domingo, abril 15, 2018

Anos 10

 os músicos -4-
Cantaloup Olhão 2017
 Desenho
apontamento a grafite sobre papel
                                              21x14.30



sábado, março 31, 2018

O algoritmo da palavra



Só ave é que voa e avião não tem penas


Dadá ou Dada, o dadaismo conceito e movimento, - dada, fala da criança, a palavra ocasional encontrada no dicionário, - dada dá, fala iniciática, som primordial, - o som e a palavra, o sónico signo, da voz, -  eu, tu e ele, - eu? eu açúcar, eu banana, - eu açúcar? casca de ovo fantasia e passarinho, - a casca cascava o ovodesascado, - casca que é cê, á, éss, cê e á com um pouco de nariz, nasalado casqâh, - nada de odor, fossas nasais sem dor e odor, - cás gutural, ca nasal, c(á)sqâh, - o sónico soar das palavras, a palavra som na mente insonora, - o eu músical, - ê e ú, êú, - ú sem  ê,  u, - o ê, o ú, e o êú som de mim, mim de eu e eu de mim, - mim? – ém, iii ém; - eu próprio, pró-pri-ú  o adjuvante  de mim - ém, iii ém, e êú voz sombra em ém iii e mê,  ouvindo êú nasalado no nariz de mim, eu mesmo,- mê, ês, mê e ú, mesmúo, - mimmesmo e ú êú de miiim, eu mim mesmo e ú êú antes de mim? ovo e galinha ave, - á, vê e ê, a ave fonema em mim sem galinha, percussão vocal em êú, - voo sem galinha, voo sonoro, - sú, nó e rú som de mim, êú voo sem ave, eu áhvvee só som de mim, - á, vê e ê com asa, que voa, voar do pássaro, pê e á pá, ssâ, ér e ô ru, pássârú sem ave, o som pássârú passa em mim soando, soa o lastro afagado  de eu ouvido de mim cá dentro do peito, caladamente musical e coisa que é passado pelo arco do obtuso vicio de ser que, se é coisa, é som do êú alapado em ém, iii ém  o querer de ser aurora limão ao luar, - que o sonar de pássârú é pá paladino, ssã  é molesa do coração e rú conota meu sonhar de o luar de meu sonho de limão, e êú quando digo amo-te, que é âh, mê, ú e tê mais ê, anoto que sinto a cereja caindo no chão, do âh que é árvore, mê que redondo rebola, ú que rubra, tê e ê que embate e quebra no chão que penso, e 


bengala

         é homem nu ao sol na praia


Benguela

         é mulher nua ao sol na areia


Trump

         é buraco negro



o som da palavra  não diz do seu significado, só ave  é que voa e avião não tem penas




quinta-feira, março 29, 2018

Anos 10

 os músicos -3-
Cantaloup Olhão 2017
 Desenho
apontamento a grafite sobre papel
                                                                              21x14.30

terça-feira, março 27, 2018

Anos 10



 os músicos -2-
Cantaloup Olhão 2017
 Desenho
apontamento a grafite sobre papel
21x14.30

Anos 10

 os músicos -1-
Cantaloup Olhão 2017
 Desenho
apontamento a grafite sobre papel
21x14.30

sexta-feira, março 02, 2018

os corredores habitados




cresci apanhando caracóis…, quando a água das chuvas enchia o habitat natural de gotejos e humidade, esses casa andantes de mochila calcária às costas, pareciam vaguear lentamente, deliciados, pelas pedras dos valados, no chão terroso ou subindo pelos caules das plantas rasteiras; surgiam dos coutos onde se escondiam, rastejando os corpos lassos e viscosos; rastos de baba marcavam o testemunho das suas passagens dando um toque de verniz às pedras; por vezes cruzavam-se delineando percursos distintos, aliciados pelo acaso dos diferentes aromas das frescas pastagens; bichos de catadura nocturna, a noite escondia-os da depredação, mas o pernaltudo humano não se deixa levar pela moral dos sentidos, e, a ética dos costumes acaba por ser um calendário da sobrevivência; - pela noite, à luz macilenta de um pneu ardendo, dolorosamente enfeitando-a de fuligem, os caracóis eram arrancados ao esteio natural das suas vidas para a rapacidade do apetite, - vertigens da sobrenatural caricatura da existência; - leva-me a escrita ao espaldar desta janela por onde espreito até ao rumorejar das noites de aço, - a densa madrugada dos sentimentos, a fosforescência da auto-estima nos devaneios precoces, - que fazia essa moldura de lampejos nocturnos lavrados em cestas de moluscos? - raiz dos sentidos vários madurando, envolvência dos olhos eloquentes, substância ácida da alegria; - o cheiro a borracha ardida rescendia ferozmente nas narinas, juntando-se ao acre labor da terra húmida, que, espargindo-se, se misturava ao fedor sulfuroso do alcatrão; da ponta onde a língua de fogo, esgueirando-se, tinha o seu último alento, levitando em arabescos de pesadelo, saltava um fio de estearina espessa, volutas de fumaça negra ao bamboleio da chama amarelada, - enterro da pequena luz na imensidão celeste; despedida da chama, sacudida pela aragem, a frouxa iluminação apalpava o espaço em redor e furava no carvão nocturno, cambaleando entre o vivaz e o lúgubre, - descoroçoados ânimos; - os pirilampos na terra desafiam as estrelas no céu, uma força antiga acompanha em surdina as chamas que se apagaram, como se uma caixa de fósforos tivesse viajado na escuridão prestes à sua eclosão, dilatada até ao recolho de todo o sentimento, - o duro negro da noite, enche prenhe a viuvez desses momentos, - restos do elixir nocturno ou o alabastro da meninice; - descubro a ênfase posta nos dias quando nas valetas escorria um regueiro borbulhando entre os estorvos das pedras e das serralhas; estas, que mais tarde iriam alimentar coelhos, porcos e caracóis, - troca onde o vazio do universo se esconde, sacudindo a angústia dos seres vivos para o lado de fora do animal, verdade embebida na fantasia de um olhar distante; - entre as almofadas das nuvens andarilhas, resplandece o sol, atirando sombras de veludo para o chão, e, enquanto a avidez dos insectos planava em acrobacias entre os tojos, mariolas ou funchos, os zumbidos rolavam nos ouvidos, alimentando o fremir perpétuo evolando das artérias e dos fluidos abissais  até à superfície da pele, - trechos musicais do assombro que se alapam à luminosidade dos caminhos; a vitória porosa da bicharada em transe de núpcias; - vertiginoso é o prazer, quando o azul dos lírios cai de entre as suspensas águas, e a intensa sensação de um delírio desperta o ânimo resoluto; - por vezes chuvisca e faz sol – e as bruxas a fazerem pão mole, cantavam os costumes –, enterrado numa perspicácia ingénua, enfarpelado, debaixo de chuva, violando os endereços da razão, saía lampeiro com a lata pendida da mão, em busca dos peregrinos que se desunhavam pelas paredes e pequenos vales; à transparência da água observava o musgo e líquenes que se inclinavam em doces vénias, ao sabor da corrente; cobriam o fundo das valetas os matizes viridentes onde os olhos escoavam a primazia dos afectos, - prestadora moral de ausentes servidões, pastoral dos rútilos cantos; - por baixo do azul índigo inflamado de glória, súbito os cúmulos acinzentados vogando lá em cima, despejam rebuliços de água e ensopam chapéu, casaco e calças, - dos caracóis mouros e caracoletas, restará o musgo dessa verdade, embebido na fantasia de um olhar distante, - talvez, uma saudação daqui como obituário dos fortes acontecimentos, - fonte procurada da Fénix renascida sob o cascalho das madrugadas  




 

segunda-feira, fevereiro 26, 2018

Anos 60

Paisagem
Pintura a óleo sobre cartão
55x57
Colecção de José M. Pinto Madeira

segunda-feira, fevereiro 19, 2018

Anos 80

Lenha 
Óleo sobre tela
65.5x54cm
Colecção de José M. Pinto Madeira

quinta-feira, janeiro 04, 2018

os corredores habitados




Querido pai e querida mãe, hoje estou sangrando de emoção porque estou vendo aquelas coisas que não sabia que existiam, são bonitas a valer, pois vejo que elas são paisagens e retratos muito bem desenhados e pintados que tantos pintores e desenhista fizeram por esse tempo fora, é coisa de admirar. Eu gostaria de ser igual, mas não sei se consigo, todos os retratos são tão bem feitos que fico admirado de ser possível que alguém os fizesse, gosto muito de ver as pinturas que os livros trazem em estampas de cores em folhas de papel grosso mas muito liso que dá gosto apalpar. Estou contente por estar nesta escola, eu não sabia que havia escolas com moços e moças todos juntos nas aulas, gosto muito de estar com eles nas salas onde temos aulas, temos aulas de desenho e pintura também de modelação e desenho de ornato e desenho de letra, gosto muito de desenhar e pintar. No recreio as moças ficam os moços chamam o galinheiro porque é lá encima nas escadas e tem um alpendre onde elas ficam nos intervalos e os moços ficam cá em baixo falando uns com os outros muito. Estou mesmo admirado desta escola e não sabia que havia escolas assim tão alegres com professores muito amigos dos alunos, na aula de pintura desenhei e pintei uma romã com os bagos à vista que estava aberta ao meio que os outros e o professor ficaram admirados, pintei os bagos todos um a um com a cor vermelha que têm, fiquei todo contente de ver que ficaram admirados pois eu gosto muito de desenhar e pintar e fiz o melhor que sabia fazer. Quero que fiquem bem. 

               

segunda-feira, novembro 27, 2017

os corredores habitados



  ...e saio pela porta da entrada
o espaço oposto ao declínio, onde posso aguardar o passado e restituir a mensagem das árvores visitando as portas acudidos pelo prazer; saio pela porta emblemática, no jardim da renascença dou passos envoltos nos mistérios dos espelhos, das águas que abrem caminhos sem luto na cidade envolvida na grande festa da agitação; - os carros voam nos subterrâneos, deixam rastos de vernizes na atmosfera bolorenta, dão socos na imaginação em fuga desesperada dos semáforos e às linhas brancas dos asfaltos; - deambulando pelas frestas da cidade encontro-me no passado, o grande armazém das vulneráveis recordações; insinto  o moço tentando voar no degrau acima das calçadas, um palmo desviado para a alegria, entregue à baralhada imaginação; o espelho daí está aqui, resgatado e tropeçando nos entulhos das visões sangrentas, entrando pela porta da saída, vulnerável à inquietação e á memória; - entrando e saindo, saindo e entrando habita-se no mesmo espaço? erguem-se degraus no alvoroço da mente, desagua-se na frouxa luz, bate-se à porta dos espelhos? - a flora habita-nos como o endereço dum destino, pressupõe a adesão à errância e ao estábulo; na conservação da natureza nascem flores no peito; a cidade cospe-me para o lado, virtualiza a adesão
é no grande Palácio que me encontro, onde miro o Miró, - o grande palácio e as suas pedras, os arcos, as fachadas, o orgulhoso janelame alinhado como um exercito fulminante pairando sobre a colina, casas diminutas aos seus  pés assessorando o destino comum e díspar, a toalha azulada e verdosa da água enrolando o horizonte; pela distância das janelas filtra-se o universo, do longo corredor emergem as alcovas de príncipes e princesas; aos olhos o cheiro principesco dos pentes de marfim e panos acetinados, ao olfacto a visão do bolor do tempo, as rugas na velhice dos panos e seus antigos usuários, retratos pendurados sopram ainda ventos nos peitos comovidos dos visitantes; a história empastada em veludos e canapés rói à distância o nosso tempo enfadado e misterioso; - mirando os mirós descubro as evanescentes paisagens rebuscadas nos riscos solitários e manchas agrestes, a violência dos trapos e das alcovas, desertos da imaginação truncados por açodadas manchas cromáticas arrebatando o espaço desconectado; outras, suaves como filantrópicos acasos do olhar, perfumes centrifugados das manhãs celestes, paixões ainda temporãs e tímidas; - sem pessoas, o mundo virtual acusa a realidade de prosaica, remete para a substância de um mal menor, engaja o trôpego viver nas nuances da caligrafia; quando parto, sobre a ponte, já é noite, e ao longe sob a esplanada escurecida, um manto luminoso de um amarelado plangente eleva-se até ao Grande Palácio que nos vigia mansamente