sábado, janeiro 10, 2015

O algoritmo da palavra



Nada reverte o amor em palavras
As sombras  não são pudor
- Os nomes cristalizam nas margens
O corpo evola-se em ardor

Teu nome tão grato às manhãs
Teu invólucro  de nada presente
Teus passos de alguma serpente
Carpir do crepe da roca das lãs

O rio que por aqui passa
Nas margens das asas d´água
É rio em perpétua vasa
Sem nomes! – insólita mágoa

Não há nomes no vazio das avenças
Na bagagem crispada do sentir
- Nomes são as nossas crenças
No mundo sentido e a fluir  







terça-feira, janeiro 06, 2015

os corredores habitados



se eu fosse outro ( nas imediações)
totalmente outro ( talvez ou apenas uma graça de um qualquer farol )
sempre que inspiro ( longe das águas )
na verdade mecânica dos pulmões ( gestos de Charlot )

outro ( para lá da dúvida )
caminhando ( esquecidos os momentos )
nos aquedutos ( a enorme voragem)
da viagem

aquele  outro 
por um verso que respiro
chegarei aqui às pequenas coisas, ( limão, raiz, sombra, postigo)



 
 

sábado, janeiro 03, 2015

os corredores habitados



 nos corredores
não há armazéns  (depósito de mercadorias para embarque)
para guardar os vícios
nem pistolas  para guardar sentimentos,
nos corredores  (passagem estreita e comprida no interior duma casa, que corre muito, mensageiro, cobarde, poltrão)
onde abundam as palavras
                   os enredos (tecido embaraçado, conjunto dos incidentes de uma produção literária que constituem a acção, mexerico) agarram-se às paredes
                                a imensidão do olhar fere o rosto que se arrasta na penumbra
 a aurora cai
             por cima das vozes (resultado da emissão de sons pela laringite,grito,clamor, v. do povo, v. de trovão,etc)   há trânsito
                                           em direcção às fogueiras que nos alimentam




 

sexta-feira, janeiro 02, 2015

os corredores habitados


Do ano tão nu
que ora passa

raiando os olhos
os lenços da despedida

sobeja nas fontes
teu olhar de sarça (encastrado)
teu olhar - com graça -
de um lençol de mágoa
nas horas de toda a vida

- por outras horas 
outro ano vem
tão longe a encontrar
nas dobras do que se tem
querendo alto outro festejar







quarta-feira, dezembro 31, 2014

O algoritmo da palavra





Encontrei uma palavra no chão

Quis saber o que ela era

Interroguei-a sem compaixão

Disse-me não saber donde viera



Ano Novo!

Coisa estranha…

Pensei eu comigo

Ano, ainda se entranha

Novo…começa onde eu fico?




sexta-feira, dezembro 26, 2014

O algoritmo da palavra



há versos instantâneos 
nas almofadas da imaginação

é um hábito
desnudado

a matriz cíclica
governante das bocas
desobstruindo os duros nós



quarta-feira, dezembro 24, 2014

O algoritmo da palavra




a litografia dos nomes
encastrados perdeu-se 

e o horizonte das palavras 
ficou mudo

procura-se agora
o verbo solto

na peugada dos corpos
viajam labaredas



domingo, dezembro 21, 2014

O algoritmo da palavra



o algoritmo
da palavra poética
é um denso mar

recriar o vazio
é ainda
a voz da 
minha ausência

se te procuro
numa palavra
fico encalhado
no deserto



segunda-feira, dezembro 08, 2014

Mostruário de Títulos para Poemas


Nº 101

para poemas complexos:

;o ciúme é o amor escondido numa garrafa;


Nota:

é um poema contra a violência


não se deve poetar com os nomes
Pedro e Inês
onde as rugas do tempo tecem
vocábulos suspeitos

Romeu e Julieta
assim assim
pese embora 
a vocação para as interdições 
o escuro atravessando as janelas

se o amor é louco
e se se perde nas verdades esgrimindo-se
o longe projectado nas palavras
mostrará o anil das incertezas 

esbracejando ao som
das flores de laranjeira
o mar segurando o verde vidro
abre caminho aos agudos frémitos
agudos



quinta-feira, dezembro 04, 2014

Mostruário de Títulos para Poemas


Nº 100

para poemas complexos


;os berços selvagens criam papoilas no coração;

Nota:

 é um poema para
ser produzido em centrifugadora

após uma solução em ácidos alfabéticos 
os eczemas da fala soltam-se

prendem-se às paredes escuras
aos nirvanas às prendas de natal
às fendas  deixadas pelos lexemas
à interpretação  dos sintomas
do som das  vogais

todo o significado cria um abuso de poder

restará uma luzerna de ócio vermelho
crescendo pelo vão da ignorância 

o poeta rejubila  do
poder magnético do silêncio

aos outros será dada a palavra






quarta-feira, dezembro 03, 2014

Mostruário de Títulos para Poemas


 Nº 99

para poemas complexos



;tenho cansaços  mentais onde navegam poeiras do eterno;

 Nota:

é um contra-poema  

o poeta deve suspender a mão
sobre as vitualhas do Inverno
não escrever a escrita
procurar um não suposto descanso

inventariar os dedos da mão
reduzir os afazeres ao crepúsculo dos deuses 
desatar os nós dos sentidos sentimentos
beber água nos ribeiros da melancolia 

bastará ao poeta ser poeta
levantar as palavras do chão
sem fazer poeiras de mistérios
ter anseios lado a lado 
com o vizinho





segunda-feira, dezembro 01, 2014

Mostruário de Títulos para Poemas


Nº 98

para poemas  simples

;os belos horizontes entupiram o eterno;


é uma poesia fantasmagórica
onde o Carnaval da Noite
bebe nas fontes do vazio

cravejado de alegorias
o poema - palavra embala
as saudades embutidas

os viajantes percursores
olham os fios vegetais do longe

uma camada de sensual penugem
culminará na longa marcha
terra das luas intimas



sexta-feira, novembro 28, 2014

Mostruário de Títulos para Poemas


Nº 97

para poemas simples

;nos subúrbios da manteiga cresci rente às ervas;

Nota:

deve-se  ter  em em conta neste poema
que o poeta jamais se alimentou  dos néctares
ou iguarias dos deuses

os ébrios manjares entrando
pelas soleiras das portas  singelas
ficaram presos nas redomas  acústicas

a paixão pelos vinhos nocturnos
embuçados nos vícios da delicadeza
não servirão de tapete - verde
às ambições dos vilões das tabernas 

o poema não abdicará
de crescer liberto
ainda  que o poeta se una 
à terra fresca




segunda-feira, novembro 24, 2014

Mostruário de Títulos para Poemas



Nº 96

para poemas simples


;os esplêndidos sorrisos
incubam-me alergias às poeiras amorosas;


Nota:

dar-se-á neste poema
 algo como a desertificação 

os segredos  adornando as paixões
são tidos como vestígios do pólen

o poeta sustentará a vigilância
sobre as imbricações  dos veludos nocturnos

e os acentos da voz mitigante
caleidoscópica   
perdem-se nas valetas
de hibernados  amantes 

as queixas os  amuos
revalidam as sincronizações dos sorrisos

para lá da alegria
veste-se de água o sal


quarta-feira, novembro 19, 2014

terça-feira, novembro 11, 2014

Mostruário de Títulos para Poemas


Nº 95

para poemas simples


;todo o real é uma inundação dos sentidos;


 Anotam-se alguns  factos do real:


a mulher nua convergindo
para o homem de costas                     - realidade  assombrada

o homem de costas convergindo
 em direcção ao centro                       - realidade sem direcção

o peixe                                               - realidade sem ficção

na ondulação da água                        - realidade desmesurada

a gravata presa
 ao pescoço do peixe                         - realidade sem fins lucrativos

 o grande lago

 que adormece na luz  represada       - realidade sentimental

o anel quebrado no dedo                   - realidade do objecto

a família que espera                           - realidade da distância

o que se procura na distância            - realidade do irmão

a fadiga diante do olhar                     - realidade de oceano

a linda noite de brilhantina azul         - realidade abusiva

os esplêndidos sorrisos                      - realidade triturada

as queixas  das lápides                      - realidade surda

as poeiras do amor                            - realidade  navegante

sublime realidade                             - realidade com janelas

o sentido                                           - realidade ilustrada

as marés                                           - realidade sem prisão






quinta-feira, outubro 30, 2014

Mostruário de Títulos para Poemas


Nº 94

para poemas simples


;conviver com a solidão gasta os joelhos a rezar;

Nota:

não convém comer com garfo de aço
quando um poeta escreve, Só, para a solidão

afectos Ruidosos ficam presos em dentes subterrâneos
olhos abstractos podem cavalgar em hinos das Encruzilhadas 

esta - poesia Degolada - pela mão escrevente
Adversa ao rumor das rimas
não subirá de tom
não abrirá a boca ao reluzente desaforo

prescrevendo as palavras na mão Esquerda do poeta
espera-se que daí se parta à espera dum amor sem luto

anota-se!  - que o poeta alcance a maturidade
                    com versos próximos da sua voz Desinundada 




segunda-feira, outubro 20, 2014

Anos 10



  Quadro 13
Painel/instalação
   Um homem na paisagem
     Tela,madeira e pintura a óleo
33x27












  Quadro 12
Painel/instalação
   Um homem na paisagem
     Tela,madeira e pintura a óleo
33x27







  Quadro 11
Painel/instalação
   Um homem na paisagem
     Tela,madeira e pintura a óleo
33x27

terça-feira, outubro 14, 2014

Mostruário de Títulos para Poemas


Nº 93

para poemas simples


;iluminemos o horizonte com o brilho dos cadáveres; 

Nota:

poema sem verniz nas consoantes 
poema para consolar os amantes da perdição;
digamos que é um poema desconsolado
sem interior metafisico 
e que por isso se poderá comprar nos supermercados
a preços já bolorentos 

mas não é um poema 
com cadáveres flutuantes
ou rusgas fictícias

o poema pode ter brilho
porém,
jamais licitações sobre a amargura
de amantes

na verdade,
será.  


quinta-feira, outubro 09, 2014

terça-feira, outubro 07, 2014

Mostruário de Títulos para Poemas


Nº 92


para poemas simples

;beijocas!... é o melhor para dar devaia ao amor;


Nota:

é um poema sem ódio
nivelado pelo cheiro a alfazema 
sem ondas que lancem para o interior dos amantes
sentimentos encortiçados

beijocas nos joelhos
beijocas nos umbigos
aqui e ali

beijocas sem atritos devastadores,
nem mesmo pequenos socalcos 
nas lágrimas

o poeta deve ouvir, atento,
com os ouvidos das válvulas
do coração
os ruídos do verbo amar:

eu amo mesmo com nevoeiro
tu amas mesmo com nevoiero
ele ama mesmo com nevoeiro; ruído de cabelos despenteadamente em leque

nós amamos com olhos de gato 
vós amais com olhos de gato
eles amam com olhos de gato preto; ruído de rubras papoilas  no quarto





sábado, outubro 04, 2014

Mostruário de Títulos para Poemas



Nº 91


para poemas complexos

; só a infância do eu regressa  despida ao berço;


Nota:

será escrita poética para todos os que 
dos novelos sentimentais não haja memória

a nostalgia obrigará o poeta a olhar-se de frente
comove-se naturalmente pela escassez das lembranças 
e procura nas vitrinas do acaso soluções 

é um poeta transfigurado
envolto nos mistérios dos poentes sobrepostos

atingirá a plena maturidade 
através duma escrita em ascensão para o centro

não esquecerá que do eu
resta sempre um circulo indelével



segunda-feira, setembro 29, 2014

Mostruário de Títulos para Poemas


Nº90

para poemas complexos


;entre o aprisionamento da vontade e as delicias do desejo
 haverá um intervalo de segredos;


Nota:

deverá ser um poema reforçado:

as delícias do desejo devem ser escondidas
algures com trancas de vidro
porque a vontade aprisionada
solta uivos bêbados de alegrias 

este  poeta anda sempre vestido
de zonas cinzentas no olhar  



quinta-feira, setembro 25, 2014

Mostruário de Títulos para Poemas




Nº 89

para poemas complexos

;o vinho consubstancia no corpo a voz do eterno;


Nota:

é um poema onde não poderá entrar
qualquer resquício de medo

as palavras deste  poeta devem soar
como se fossem levadas pelo vento:

lá no altooooo de algum encantoooo
soaaaaando teus lábios o sorrisoooo
voaaaaam teus olhos no espantoooo
de alguuuuum orgulho narcisoooo


e na vooooz  que aqui soaaaaa
abeeeerta  ao ééééteeer vaporosooo
o eternoooo assiiiiim  voaaaa 
pela  narrrativvvvaaa do corpoooo


no entanto o poema não poderá cheirar a vinagre.







segunda-feira, setembro 15, 2014

Anos 10


  Quadro 10
Painel/instalação
   Um homem na paisagem
     Tela, chapéu de feltro pintura a óleo
33x27


 


  Quadro 9
Painel/instalação
   Um homem na paisagem
     Tela, madeira, pregos, pintura a óleo
33x27




  Quadro 8
Painel/instalação
   Um homem na paisagem
     Tela, folha seca de planta natural, pintura a óleo
33x27