terça-feira, março 10, 2015

O algoritmo da palavra

XIII

viajo no chão
e no rosto das palavras

o lugar do costume
onde se abrem janelas ao meu alcance

no corpo
os veleiros da noite
adormecem

a tensão dos músculos bate à porta:

“olá!! estás por aqui
com o sol nas narinas?...
viajante do sal da terra!


segunda-feira, março 02, 2015

O algoritmo da palavra


XII

as tiranias da carne
vestem-se de palavras doces:

sacrifícios para o alem
amor eterno
musica no coração

despeço-me dos lençóis em que te vi
onde juntei algemas ao teu olhar,
mostram peles sedosas
os vestidos azuis da solidão

sabe a canela 
a saliva dos teus beijos,
longe de mim ou de ti
não há eternidade que se veja

Ó bládi.... ó bládá....

crepúsculos de ferro
levam criancinhas aos céus

ó  bládá...ó bládí

obscurantismos vinculadores 
soterram as luzes engalanadas

com a banha de porco
untam-se notas de mil euros

(saibamos que o javali
não é mineral)

chorei lágrimas sem fim
quando perdi a virgindade

ó bládi....ó bládá.... da palavra



segunda-feira, fevereiro 23, 2015

O algoritmo da palavra



XI

as folhas tremem
pequenas volúpias
da cidade sonora 

estremece o tempo
na hirta árvore
matrizes de um correr escondido
os ramos
filigranam sobre o antigo tronco

as minhas mãos pegam
no bloco
escrevo-me, escrevendo
no ângulo superior ao tecido vegetal
- eu sou o da mão que risca, olhando-me
as árvores vestem-se das minhas palavras
(Que) soletro

o ângulo em que vejo
é um braço segurando, a,
ausência tua



terça-feira, fevereiro 17, 2015

O algoritmo da palavra

X

o tempo rasga-me a solidão

- corre uma brisa -
 é amanhã que vou ver
o meu antigo retrato

nas velhas pedras do muro
o sol
desencadeia gloriosas fendas

intervalos de sorrisos da terra
o meu rosto de hoje

a brisa flutua sobre o continente
do desespero
verbos pesados ou chumbos de algodão?

não quero que o sol
se apague
nos intervalos da morte

é manhã e vai alto o sonoro dia





quarta-feira, fevereiro 11, 2015

os corredores habitados



só canto a matéria     da alcunha  ao real a palavra  alertar-nos  
e os  espasmos da vida    os cruzamentos da solidão 
num ver sinónimo de estar    olhar pousado sobre os braços
sentir de sombras    curvas onde a vontade se despede
os longes fortuitos    os sinais de cinzentas certezas

só canto a vida
  refrão expulsando-se do frio
e os seus mistérios a voar   de asas ocas a tortura 

espalhar-me-ei    eixos suportando as tombolas
pelo caos aberto  empréstimo da sensitiva evasão
pela graça de uma palavra  currículo da  pele
e no infinito me findarei   a voz suspensa

só canto a vida  refrão expulsando o frio
e seus mistérios a voar

o absoluto é um pão azedo
  cartaz de propaganda
degustado em infinito sal
viver é estar perto de algum segredo   escuro diamante
onde habita  sopro leal





domingo, fevereiro 08, 2015

O algoritmo da palavra



eu,  explico tudo com palavras
com as palavras...

e o resto sobrando
os vestígios  na língua suada?

o resto é somente uma lembrança

eu explico tudo 
com as palavras que se aninham
ao redor do corpo

com os intervalos
que as prendem

adoço o café da manhã
açoito os cavalos que não entendo 




segunda-feira, janeiro 26, 2015

Apresentação Ouro e Vinho

  Biblioteca Municipal de Faro

quarta-feira, janeiro 21, 2015

O algoritmo da palavra



não ignoro que
entre o texto e mim
há um ilusório marfim

sólido eclipsar de agulhas finas
bantostões de gélidas figuras
remendo em névoa p´rás alturas

não ignoro
mas tudo isso   criação nervosa
brasas de um chão nervoso
lágrimas ou choro de alguma aurora
é o ombro de um minuto generoso
de marfim, que percorro




sexta-feira, janeiro 16, 2015

O algoritmo da palavra




a palavra
fruto dos sentidos
errante na voz murmurada
matizada nas vésperas do caminho

segue-me

saturada pela nitidez 
dos contornos
sinais abertos à imaginação


- não é aquele sopro
que se dilata 
nas veias -


halo rompendo o orgulho das pedras
ecrã onde despejo o olhar
é chão das minhas sandálias
o texto 
nas ondulações dos indícios 


é frio o coração do nada
mas é lá 
que escrevo
as palavras quentes
e sem vergonha





terça-feira, janeiro 13, 2015

O algoritmo da palavra



Ó terra gretada
sulco das minhas veias,
a poesia não é nada
mas nela as palavras semeias



sábado, janeiro 10, 2015

O algoritmo da palavra



Nada reverte o amor em palavras
As sombras  não são pudor
- Os nomes cristalizam nas margens
O corpo evola-se em ardor

Teu nome tão grato às manhãs
Teu invólucro  de nada presente
Teus passos de alguma serpente
Carpir do crepe da roca das lãs

O rio que por aqui passa
Nas margens das asas d´água
É rio em perpétua vasa
Sem nomes! – insólita mágoa

Não há nomes no vazio das avenças
Na bagagem crispada do sentir
- Nomes são as nossas crenças
No mundo sentido e a fluir  







terça-feira, janeiro 06, 2015

os corredores habitados



se eu fosse outro ( nas imediações)
totalmente outro ( talvez ou apenas uma graça de um qualquer farol )
sempre que inspiro ( longe das águas )
na verdade mecânica dos pulmões ( gestos de Charlot )

outro ( para lá da dúvida )
caminhando ( esquecidos os momentos )
nos aquedutos ( a enorme voragem)
da viagem

aquele  outro 
por um verso que respiro
chegarei aqui às pequenas coisas, ( limão, raiz, sombra, postigo)



 
 

sábado, janeiro 03, 2015

os corredores habitados



 nos corredores
não há armazéns  (depósito de mercadorias para embarque)
para guardar os vícios
nem pistolas  para guardar sentimentos,
nos corredores  (passagem estreita e comprida no interior duma casa, que corre muito, mensageiro, cobarde, poltrão)
onde abundam as palavras
                   os enredos (tecido embaraçado, conjunto dos incidentes de uma produção literária que constituem a acção, mexerico) agarram-se às paredes
                                a imensidão do olhar fere o rosto que se arrasta na penumbra
 a aurora cai
             por cima das vozes (resultado da emissão de sons pela laringite,grito,clamor, v. do povo, v. de trovão,etc)   há trânsito
                                           em direcção às fogueiras que nos alimentam




 

sexta-feira, janeiro 02, 2015

os corredores habitados


Do ano tão nu
que ora passa

raiando os olhos
os lenços da despedida

sobeja nas fontes
teu olhar de sarça (encastrado)
teu olhar - com graça -
de um lençol de mágoa
nas horas de toda a vida

- por outras horas 
outro ano vem
tão longe a encontrar
nas dobras do que se tem
querendo alto outro festejar







quarta-feira, dezembro 31, 2014

O algoritmo da palavra





Encontrei uma palavra no chão

Quis saber o que ela era

Interroguei-a sem compaixão

Disse-me não saber donde viera



Ano Novo!

Coisa estranha…

Pensei eu comigo

Ano, ainda se entranha

Novo…começa onde eu fico?




sexta-feira, dezembro 26, 2014

O algoritmo da palavra



há versos instantâneos 
nas almofadas da imaginação

é um hábito
desnudado

a matriz cíclica
governante das bocas
desobstruindo os duros nós



quarta-feira, dezembro 24, 2014

O algoritmo da palavra




a litografia dos nomes
encastrados perdeu-se 

e o horizonte das palavras 
ficou mudo

procura-se agora
o verbo solto

na peugada dos corpos
viajam labaredas



domingo, dezembro 21, 2014

O algoritmo da palavra



o algoritmo
da palavra poética
é um denso mar

recriar o vazio
é ainda
a voz da 
minha ausência

se te procuro
numa palavra
fico encalhado
no deserto



segunda-feira, dezembro 08, 2014

Mostruário de Títulos para Poemas


Nº 101

para poemas complexos:

;o ciúme é o amor escondido numa garrafa;


Nota:

é um poema contra a violência


não se deve poetar com os nomes
Pedro e Inês
onde as rugas do tempo tecem
vocábulos suspeitos

Romeu e Julieta
assim assim
pese embora 
a vocação para as interdições 
o escuro atravessando as janelas

se o amor é louco
e se se perde nas verdades esgrimindo-se
o longe projectado nas palavras
mostrará o anil das incertezas 

esbracejando ao som
das flores de laranjeira
o mar segurando o verde vidro
abre caminho aos agudos frémitos
agudos



quinta-feira, dezembro 04, 2014

Mostruário de Títulos para Poemas


Nº 100

para poemas complexos


;os berços selvagens criam papoilas no coração;

Nota:

 é um poema para
ser produzido em centrifugadora

após uma solução em ácidos alfabéticos 
os eczemas da fala soltam-se

prendem-se às paredes escuras
aos nirvanas às prendas de natal
às fendas  deixadas pelos lexemas
à interpretação  dos sintomas
do som das  vogais

todo o significado cria um abuso de poder

restará uma luzerna de ócio vermelho
crescendo pelo vão da ignorância 

o poeta rejubila  do
poder magnético do silêncio

aos outros será dada a palavra






quarta-feira, dezembro 03, 2014

Mostruário de Títulos para Poemas


 Nº 99

para poemas complexos



;tenho cansaços  mentais onde navegam poeiras do eterno;

 Nota:

é um contra-poema  

o poeta deve suspender a mão
sobre as vitualhas do Inverno
não escrever a escrita
procurar um não suposto descanso

inventariar os dedos da mão
reduzir os afazeres ao crepúsculo dos deuses 
desatar os nós dos sentidos sentimentos
beber água nos ribeiros da melancolia 

bastará ao poeta ser poeta
levantar as palavras do chão
sem fazer poeiras de mistérios
ter anseios lado a lado 
com o vizinho





segunda-feira, dezembro 01, 2014

Mostruário de Títulos para Poemas


Nº 98

para poemas  simples

;os belos horizontes entupiram o eterno;


é uma poesia fantasmagórica
onde o Carnaval da Noite
bebe nas fontes do vazio

cravejado de alegorias
o poema - palavra embala
as saudades embutidas

os viajantes percursores
olham os fios vegetais do longe

uma camada de sensual penugem
culminará na longa marcha
terra das luas intimas