quinta-feira, junho 05, 2014
Mostruário de Títulos para Poemas
Nº81
para poemas complexos
;entre o amor e a poesia qual é a divida?;
Nota:
a curiosidade deste poema será a desocultação das proposições:
1 - a poesia é a divida do amor?
2 - o amor é a divida da poesia?
3 - quando o amor nasce,
ainda que invisível na cal da parede,
deixará o corpo na incerteza da sua transparência,
ou, a consciência desta incerteza torna o corpo opaco?
4 - a divida é a exaltação do luar
quando a noite purga os devaneios queixosos?
5 - os afectos que as rosas lembram
cinzelados pelos sopros dos queixumes
deixam em divida as lembranças amargas?
6 - etc, etc. etc e tal!
segunda-feira, junho 02, 2014
Mostruário de Títulos para Poemas
Nº80
para poemas complexos
; do que o belo nos diz
é sobre um naufrágio no universo"
Nota:
poema extremoso
cheio de dádivas solenes e umbilicais
um exemplo, talvez em forma de soneto:
no sério estou por quanto no belo também
adejo e encontro das palavras estrelas,
vozes que se perdem em segredos de desdém
por sobre os mastros das grandes velas
os escondidos astros que à luz se escondem
dentro das oceânicas noites em perfume
impérios brutais - vozes do espaço alem
das flores, sementes e algum estrume
todo o belo é uma grande viagem
sem desertos nas longínquas vistas
que em dias solenes de estiagem
dói, ver pintados sóis em perdidas revistas
dói, sentir da alegria só a volátil paisagem
dói, o quanto por ser só belo nos contrista
quinta-feira, maio 29, 2014
Mostruário de Títulos para Poemas
Nº 79
para poemas complexos
;se a dimensão do tempo me abraça
porque não ir lentamente em direcção ao real?;
Nota:
não será propriamente um poema
mas uma dissertação sobre o azul:
azul, expandindo-se
entre o olhar e as invioláveis galáxias
azul, no sidéreo que se aproxima
das tempestades
azul, na marginalidade do tempo
azul, no sistema de afluentes subterrâneos
azul no percurso das correntes
azul, em anorexia sentimental
azul, rutilante sulfato de cobre
azul, corroído pela lentidão
azul, banal
azul, balançando
azul, infiltrado no adormecido
azul, empobrecido na lavoura dos prémios
mas, sobretudo
- o AZUL liquido
derramado pelas ampulhetas
domingo, maio 25, 2014
Mostruário de Títulos para Poemas
Nº 78
Para poemas complexos
; as lágrimas da minha pele soletram os nomes do teu corpo;
Nota:
poema de pouca fantasia.
da palavra, amor, deve-se esperar que
derramada sobre as linhas do caminho de ferro
suporte o peso de todos os comboios sentimentais
todos os lugares enunciados
terão a emancipação do corpo
como bandeira
e se por ventura
houver cânticos das raizes
nas montanhas
os sulcos da amizade
deixarão um rasto de cetim
sobre as penedias
não haverá no poema nomes
sem segredos habitados
dos olhos dos oceanos
nascerão as rugas da plenitude
e, com o corpo entre as mãos
as lágrimas subirão aos ramos
não há certezas de que
do sal da pele não nasçam pássaros
segunda-feira, maio 12, 2014
Mostruário de Títulos para Poemas
Nº 77
para poemas complexos
;não há manhãs inteiras sem um fogo no coração;
Nota:
todo o poeta é um sábio
- mas, este título de poema só
terá força emergente quando a solicitude
abranger o anonimato;
Desencontros que podem
acontecer no interior do texto:
- arranhar a garganta
se as palavras forem muito doces,
expl´s:
o papa acariciou, gordorosamente, a criancinha
a virtude está em ter asas
adoçar o mel é despir-se de preconceitos
por o concreto reagir virulentamente com o abstracto
- o poema adornar,
exp´s:
tico ticar no tico tico
troca o troco da troca troika
troca que troca trocando
deixa o trocado voando
pelo uso muito do t ( soa a, "eles comem tudo...")
- fricções com o real,
expl´s:
navegar em águas profundas
num mar de sombras ensombrado
trás-me o coração nas penumbras
deste aquele amor desvelado
oh, que loucura eu tenho
neste indeciso amor,
nele - todo me avenho,
com calor calor calor
por excesso de temperatura no clima poético
( na ordem concreta do poema
dar-se-á ao esqueleto dum marinheiro
navegando sobre o lume da terra
um sino para anunciar as manhãs )
para poemas complexos
;não há manhãs inteiras sem um fogo no coração;
Nota:
todo o poeta é um sábio
- mas, este título de poema só
terá força emergente quando a solicitude
abranger o anonimato;
Desencontros que podem
acontecer no interior do texto:
- arranhar a garganta
se as palavras forem muito doces,
expl´s:
o papa acariciou, gordorosamente, a criancinha
a virtude está em ter asas
adoçar o mel é despir-se de preconceitos
por o concreto reagir virulentamente com o abstracto
- o poema adornar,
exp´s:
tico ticar no tico tico
troca o troco da troca troika
troca que troca trocando
deixa o trocado voando
pelo uso muito do t ( soa a, "eles comem tudo...")
- fricções com o real,
expl´s:
navegar em águas profundas
num mar de sombras ensombrado
trás-me o coração nas penumbras
deste aquele amor desvelado
oh, que loucura eu tenho
neste indeciso amor,
nele - todo me avenho,
com calor calor calor
por excesso de temperatura no clima poético
( na ordem concreta do poema
dar-se-á ao esqueleto dum marinheiro
navegando sobre o lume da terra
um sino para anunciar as manhãs )
sexta-feira, maio 09, 2014
Mostruário de Títulos para Poemas
Nº 76
para poemas complexos
;quando sinto esta ânsia de literatura anoitada sabe-me a estar comendo alcatrão;
Nota:
poema cavernoso
singularmente velho
e cheio de remorsos
poema encalhado nas palavras sem perfume
Dicas:
sobre a mesa de cabeceira
os litígios da amargura
ganham um endurecido peso
abraçado ao espelho da noite
despede-se do nu amor, o poeta
com palavras que irão para além
da viva morte
o alcatrão da noite estende-se
sobre as estrelas da emoção
só haverá sol na literatura
depois de a terra bebida pelos
ventos das hipóteses
quarta-feira, maio 07, 2014
Mostruário de Títulos para Poemas
Nº 75
para poemas simples
;o romantismo desvirginado da atmosfera presente;
Nota:
poema sobre a acidez do hálito do poeta
DICAS;
andando pelo super
no mercado
procura na/s prateleira/s inferior/es
preços baixos
às prateleiras sup/superiores
o pescoço não chega
o braço do poeta escondido
num maço de algodão
subentende o andar do carrinho
com rodas de prazer
o carrinho desliza
pelo lado esquerdo da verve
batom peúgas torresmos enlatados
caixas de andorinhas esparguete com olhos
enchem enchem
enchem enchem
enchem
o açúcar nas asas duma borboleta
na barra de sabão
estalou na sensual embalagem
de um creme para barrar
o poeta hálitou
para a prateleira sup/superior
um odor a vinagre encheu os ouvidos
do, chefe resmungou:
- lava os dentes moço!...
segunda-feira, abril 21, 2014
Mostruário de Títulos para Poemas
Nº 74
para poemas complexos
;quando choro cai no chão a angústia dos espelhos;
Nota:
só pode ser escrito por um poeta verdadeiro:
que nunca tenha sofrido
um beliscão pela crítica
que nunca tenha usado sapatos à Luís XIV
que nunca tenha escrito a palavra amor
pelo lado do avesso
pode usar versos brancos sobre superfícies vermelhas
as vezes que forem necessárias
ou versos vermelhos sobre superfícies brancas
quanto baste
sobre as angústias o poeta derramará cal
viva
domingo, abril 06, 2014
Mostruário de Títulos para Poemas
Nº 73
para poemas complexos
;não tive, mas o que é ter?;
Nota
pergunta feita pelo poeta
dentro da nave do Mosteiro de Alcobaça
dirigindo-se aos ecos da eternidade
tópicos:
ter é abastança de virtudes
em injunção de esperança
é mor saudade
ter o que não tive
perder o que era certo
é incendiar desejos no deserto
ter o que se não tem
é ser outro em mim
não o sendo porém
se ser não é ter
não tendo eu tido
o que poderei eu ter sido
num ser que não foi sen-tido
segunda-feira, março 31, 2014
Mostruário de Títulos para Poemas
Nº 72
para poemas complexos:
;eu o outro e o mundo, a trindade terrestre;
um poema invisual
o poeta ao escrever este poema tem que ter em conta
a pirataria
o sujeito poético
deve estar escondido
por baixo de nomes agridoces,
dos exps. em limite
- a beterraba reverbera
na luz do olhar
quando canta a Severa
fado de mal amar
- cântaros que ides vazios
por baixo dos sóis ardentes
refrescai os vossos cios
nas águas não poluentes
- tudo o que é já foi
no tempo que há-de vir
por baixo daquilo que soe
por cima de todo o porvir
sexta-feira, fevereiro 28, 2014
Mostruário de Títulos para Poemas
Nº 71
para poemas simples
; um vendaval cardíaco soçobrou no paraíso;
Nota:
um poema vestido de branco
com palavras vermelhas
as cruzes da "cruz vermelha"
entrarão suavemente no poema
como rotina semiótica
os sinais do coração adoçando
nas vitrinas ambições em forma de rebuçados
deixarão espaços abertos aos colapsos das palavras
quando estas dispostas ao entendimento do secreto
viajarem neutras num paraíso qualquer
os vulcões nos cabelos do poeta ditarão
atmosferas de sangue
quarta-feira, fevereiro 26, 2014
Mostruário de Títulos para Poemas
Nº 70
para poemas simples
; o sentido da vida está na relação com os outros;
Será um poeta que, por o ser, não sabe andar na rua
pois ele sempre tropeça em alguém quando
escreve poemas
Apontá-lo-ão. Quando sai à rua normalmente é preso.
tópicos:
ando p´rá frente
ando p´ra trás
encontro muita gente
sou um bom rapaz
dá-me as tuas mãos
dá-me um beijo
empresta-me o teu coração
liberta o meu desejo
domingo, fevereiro 23, 2014
Mostruário de Títulos para Poemas
Nº 69
para poemas complexos
;o maior mistério do Nada é ser ainda alguma Coisa;
Nota:
O poeta deve entrar em meditação profunda,
confronta o seu Eu envergonhado
com o Nada vestido de palavras
tópicos:
Nada sou Eu se visto a escuridão da fome
se deixo cair a alegria num oceano
se a palavra amarga
e entra com febre no corpo
os cânticos da ausência
caucionam a pouca lucidez
quarta-feira, fevereiro 19, 2014
Mostruário de Títulos para Poemas
Nº 68
para poemas complexos
; se o mundo fosse um caos
não havia flores;
é um poema para ser esculpido
sobre um incêndio na consciência
poderá haver rugas no caos da memória
mas da terra não virão remorsos
as formas do desejo habitarão
o coração das flores
só a manhã dos lacraus
ajudará o poeta a viver sem armas
e do tempo a ébria amargura reverdescer
é por engano das palavras
que o caos acontece no poema
segunda-feira, fevereiro 10, 2014
Mostruário de Títulos para Poemas
Nº67
para poemas simples
;sou um velejador de palavras;
Nota:
poesia sem alicerces
para poetas com poucas ambições
poéticas, vagamente seduzido
como o vento soprando na monotonia
num largo espaço de escuridão
velejando palavras em sinfonia
no poeta,
um sonho, em contra mão
quinta-feira, fevereiro 06, 2014
Mostruário de Títulos para Poemas
Nº 66
para poemas complexos
;sossegado coração
entre as pedras do nevoeiro;
Nota:
este poema quer-se com alguma leveza,
todas as palavras devem falar baixinho
deve o poeta cirandar entre o algodão
das palavras
qualquer pedra
que entre no poema
- ainda que por acaso,
ficará suspensa
no olho triste adjacente
ao espaço azul
dum quadro de Miró
no colo do alfabeto
ministros ficam à porta
molduras com ar de passagem
sossegarão pulsações outonais
quarta-feira, fevereiro 05, 2014
Mostruário de Títulos para Poemas
Nº 65
para poemas simples
;porque os poetas nas suas andanças
tecem as palavras como se fossem tranças;
Nota:
deve ser um poema simplório
para se ler entre as audiências:
andanças deve rimar com finanças
muitas vezes
esperanças com tranças
algumas vezes
multiplicação das contundências
com relatórios das exigências
tropos da poesia matinal
assinalam justa elegância verbal;
- finura de som na catedral
nas palavras duras e de vegetal
domingo, fevereiro 02, 2014
Mostruário de Títulos para Poemas
Nº 64
para poemas complexos
;essa outra coisa que sempre sou!;
Nota:
Um poema residual
construído com artefactos:
um pente soprando nos ouvidos
uma lanterna acesa no umbigo
uma caixa de dominó em forma de cansaço
sob a largura da voz a memória de ontem
à verdade escondida no andar debaixo
o poeta acrescentará os resíduos do futuro
aquilo que o poeta foi será contado em segredo
aquilo que o poeta será será exposto brevemente
sexta-feira, janeiro 31, 2014
Mostruário de Títulos para Poemas
Nº 63
para poemas complexos
;caminhamos sobre um fogo infinito
se nos querem totalmente abstractos;
Nota:
poema para ser escrito por Poetas
do Deserto
tópicos:
ventos que eu queria anexados
soprando dos exílios matinais,
aos lugares não indexados
nos mapas dos fogos infernais
areias de alegria infinita
em horizontes dunares,
nos olhos a areia grita
ondulações dos duros lugares
caminhantes sobre um fogo infinito
em desertos humanos pernoitados
sob o duro peso dos atritos
somos, mas não seres abstractos
quarta-feira, janeiro 15, 2014
Mostruário de Títulos para Poemas
Nº 62
para poemas Simples:
;não há palavras para o silêncio em brasa;
Nota:
aconselha-se o Poeta a escrever este poema
somente no Inverno, pode estar em "pantufas"
junto a uma lareira. Deve todavia acompanhá-lo
um extintor e garrafinha de medronho.
tópicos:
- as palavras queixam-se do vazio da garganta
têm ciumes das palmas dadas aos teatros da vida
- a figura hábil que transforma o cálice da solidão
em terreno arável queima nas pontas dos dedos
- as serpentes dos olhos ofuscam
as papoilas tangem lágrimas
a terra arde
pelos regos aljofram palavras
terça-feira, janeiro 07, 2014
Mostruário de Títulos para Poemas
Nº 61º
para poemas simples:
;na catequese da inocência
desdobram-se bruxas a voar;
é um poema fechado
dentro duma caixa de bombons
"Come chocolates, pequena;
Come chocolates!..."
- é dedicatória aos náufragos
que escrevem
e aguardam...,deve figurar
na etiqueta
exorcizar os afectos
ocultos
nas encruzilhadas
o poema será escrito com
azeite virgem sobre cendal
segunda-feira, dezembro 23, 2013
Mostruário de Títulos para Poemas
Nº 60
para poemas complexos
;há um eterno amor
nas entrelinhas da voz;
tópicos:
quando a voz se acende
no silêncio do corpo
é posse que se estende
de mim a outro outro
no corpo abrasada
pela voz acidulada
mostro-me para ser
o que antes não era nada
sou a voz que me oiço
no sentir actualizado
sou ainda um escorço
do que havia pensado
ainda a voz não é finda
cresce uma fenda rasgada
pela saudade que é vinda
nos crepes da palavra amada
para poemas complexos
;há um eterno amor
nas entrelinhas da voz;
tópicos:
quando a voz se acende
no silêncio do corpo
é posse que se estende
de mim a outro outro
no corpo abrasada
pela voz acidulada
mostro-me para ser
o que antes não era nada
sou a voz que me oiço
no sentir actualizado
sou ainda um escorço
do que havia pensado
ainda a voz não é finda
cresce uma fenda rasgada
pela saudade que é vinda
nos crepes da palavra amada
quinta-feira, dezembro 12, 2013
Mostruário de Títulos para Poemas
Nº 59
para poemas complexos
;quanto viver em vão
nos andaimes da luz pendurado;
Nota:
eis um poema que não deve ser escrito;
vão, tanto pode ser do verbo ir,
uma viga ou actuar sem resultados
o poeta não pode solicitar
a ambiguidade do verbo
viver em vão pode ainda resultar
em viver-em-vão-de-escada
necessário será
que o poeta
retire a escrita ao poema
12.12.13
sexta-feira, dezembro 06, 2013
Mostruário de Títulos para Poemas
Nº 58
para poemas complexos
;as palavras têm o corpo desesperado
se na ambiguidade das cavernas flutuam;
Nota:
gere-se por uma aliança
entre o escaparate de um vazio
e o olhar para o silêncio
do sujeito poético
haverá circunstâncias quiméricas
fracturas galopantes
benesses às palavras
adjectivos circunstanciais de modo
adverso
e totens
o poema
deverá ser um
um exemplo
quarta-feira, dezembro 04, 2013
Mostruário de Títulos para Poemas
Nº 57
para poemas complexos
;os poetas cristalizados
não engravidam os nomes;
Nota:
deve ser escrito
com muita ponderação
qualquer pode sentir susceptibilidades
deve-se começar por
libertar o tempo
dos cristais da memória
semântica narrativa com rabo-de-cavalo
é para deitar fora
a verdade do poema deve
estar em transição
- entre o significado imaterial
e a matéria do pensamento
todos os versos
devem pairar sobre uma angústia
do verbo amar
segunda-feira, dezembro 02, 2013
Mostruário de Títulos para Poemas
Nº 56
para poemas simples
;a poesia é para todos
não é tertúlia com saltos altos;
Nota:
o poeta
ao escrever este poema
não deve rir
mesmo que o Sol lhe faça cócegas
concentra-se nas palavras alagadas
de suor
inventa canções para as crianças dormirem
suprime os alfabetos arcaicos
a linguagem animar-se-á
dando corda ao texto
a nitidez do olhar nos contornos das soluções encontradas
dará aos vários interlocutores
minúsculas sensações poéticas sem retorno
mas não apagadas
aos olhos de todos
segunda-feira, novembro 25, 2013
Mostruário de Títulos para Poemas
Nº 55
para poemas simples
;há um burburinho atroz na esplanada do silêncio;
tópicos:
um cão
um poeta
uma mulher ferida pela saudade
um adolescente
um alcoólico esbracejando
uma mulher deitada sobre uma mesa
um visionário bocejando
um clínico com um osso debaixo do sovaco
um comerciante com um cesto de ovos
um pastor
três ovelhas
um coelho de orelhas espetadas
mais três outros
indistintos na contra luz
e um místico
um adivinho
um futebolista
um praça
cantavam juntos a alegria póstuma das deles juventudes
uníssono andamento martelando no chão,
brilhava no oco espaço
o imperfeito silêncio que havia
nas, de cada vida
quarta-feira, novembro 20, 2013
Mostruário de Títulos para Poemas
Nº 54
para poemas complexos
;puro sol desabrochando de encontro ao verde mar;
Nota:
com este poema o poeta descansa,
entra num período de repouso
deixa todas as palavras em casa
antes de partir para férias
se precisar de comprar uns sapatos
apresenta-se descalço
se tiver fome leva
faca e garfo no bolso
se tiver sede
tenta dar fogo ao mar
riscando um fósforo na areia
para fazer amor
despe-se sem avisos
ao Ministério Público
20.11.13
quinta-feira, novembro 07, 2013
Mostruário de Títulos para Poemas
Nº 53
para poemas complexos
;nada tem peso a não ser a minha imaginação;
Nota:
poema com intervalos no imaginário
acolhendo o pensamento flutuante
haverá que avaliar o peso da imaginação
desvelar o peso da voz na sua origem
para que o concreto existencial tenha soluções de continuidade
à palavra emergindo
não será caucionado osgar com o rabo
aos intervalos ser-lhes-ao exigido a senha e contra-senha
para que a realidade não perca peso na vadiagem pela cidade amputada
07.11.13
segunda-feira, outubro 28, 2013
Mostruário de Títulos para Poemas
Nº 52
para poemas simples
;vivo entre as árvores os arbustos
e a palha;
Nota:
é um poema que deve cheirar a terra
preferencialmente deve ser escrito depois de haver chovido,
assim, o poema humedecido, trará à voz a doçura dos licores
não espantará se o poeta escrever:
- os regos do húmido viver
encontram nas raízes os pelos do vento
rebocando os teus olhos de algodão
cansado das torturas da fome
em que Terra pousarei o meu nome?
uma terra que desagua na foz dos bancos
dirá aos teus ouvidos: - o medo
não deixará as sementeiras nascerem
28.10.13
domingo, outubro 13, 2013
Mostruário de Títulos para Poemas
Nº 51
para poemas complexos
;tristes palavras irrequietas
quando com elas querem
congelar o tempo;
Nota:
poema feito da lucidez da palavra obscura
no poema a palavra será da natureza de caixão vazio
esperando pela morte do logos
as verdades possíveis estarão fora do tempo
pela indeterminação das ditas
não haverá espaço fora das quimeras
o poema deverá ser reforçado com ladainhas ulissianas:
obacalhauverdeesgotarseànamarédotemporal
ortopédicaspalavrasdechuvaacontecendovelozsoprointercaixasvoadeiras
13.10.13
segunda-feira, setembro 30, 2013
Mostruário de Títulos para Poemas
Nº 50
para poemas simples
;triste corpo triste eu
aqui estando neste estar;
Nota:
é um poema sobre o acto de mastigar
o poeta, aqui, não é criador de coisa nenhuma
deve utilizar as palavras como quem come pastéis - de - nata
sobre a nata dos pastéis mastiga o sonho
sobre o sonho mastiga a palavra
o sonho da palavra dirá do corpo a sua nata natureza
29.09.13
sábado, setembro 28, 2013
Mostruário de Títulos para Poemas
Nº 49
para poemas complexos
;desnudar a poesia é querer que a noite seja iluminada;
Nota:
deve ser um poema com disfarce
somente a sombra das palavras poderá iluminar o texto
o residual do fogo desdobrará as lágrimas do poema
na voz silenciosa do poeta poderá haver estrelas
28.09.13
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