quarta-feira, setembro 30, 2015

os corredores habitados


Preciso desaguar na rua


Na sonoridade do lume da calçada
teu suor corre pelas avenidas

           Ver-te assim escondido 
           numa ânsia desastrosa
           é coisa que tem percorrido
           o espinho do caule da rosa


Na sonoridade do lume da calçada
ou no caminho lavrado pelas águas
não há morte que mate as mágoas

           esgota-te o mercado no fazer
           um osso sem terra fértil 
           cansa-me o isto te dizer
           ver-te morto numa gaiola aberta


preciso desaguar nas ruas
                   sem ver-te assim escondido
abrir-me ao espanto original
                   nessa ânsia desejosa
fechar o sorriso num ângulo raso
                   é coisa que tem percorrido
aos ombros da nossa cólera
                   o espinho do caule da rosa

Preciso de desaguar na rua





domingo, setembro 27, 2015

Anos 10




Quadro nº 22
Um homem na paisagem
Tela,madeira tinta a óleo
33x27

terça-feira, setembro 22, 2015

O algoritmo da palavra


XVIII

Começar a escrever pelo lado do avesso – o lado mais puro do abandono -- um solilóquio de palavras soltas, inéditas --  e na sua voracidade de nada dizerem -- o outro lado onde a natureza mãe nos golpeia com os ácidos do obscuro

Palavras hibernadas e em contra luz

Manhã -- a manhã quente que devora os homens na superfície dos mares

Voz -- a voz que escreve nas ardósias o pulsar dos corações

Elástico -- o elástico matinal onde o luar se esconde

Claustros -- os claustros da garganta onde o som se torna eterno

Realidade -- a realidade descrita como uma pulga saltando do berço

Objecto -- aquele objecto que não existe  -  uma panela ao lume fervendo alguns            

                 diamantes evanescentes

Sombra -- a sombra envergonhada na algibeira do pensamento – palavras negras

                  inconstantes sem farmácias por perto

Sonora --  sonora manhã encostada à lavoura do trigo – homens com forquilhas

                 penteando os azedumes da vida



Começar a escrever pelo início da interrogação



-- onde está o alarido daqueles que nada dizem?

-- onde estão os gestos que escondem o sol?

-- onde está o caminho que andando não faço?

-- onde está a borboleta que deu a volta ao mundo?

-- onde está o veneno que rasgou a atmosfera?

-- onde está a sepultura onde nasceu o menino Jesus?



Escrever sabendo que os labirintos que nos escondem são besouros ardendo na enfermaria;

dizer,” bananas” e crescer água na boca é sinal de que as como?



Gostava de começar a escrever pelo lado do avesso onde a intriga do silêncio é desinquietação da claridade



sábado, setembro 19, 2015

Anos 10





Quadro nº 21
Um homem na paisagem
Tela,madeira tinta a óleo
33x27 

 

segunda-feira, setembro 14, 2015

os corredores habitados



No outro lado do monte

No outro lado do monte
Do lado onde nasci
Tenho no pulsar do horizonte
Um pouco da ria que vi

Dos montes que a circundam
Subindo nas suas encostas 
Meus olhos o brilho inundam

Vestes das águas

cio de espuma, solicitude, visão ardente,
cântico duma visão sem fim, burilada,
exaltada juventude, peixe de raiva surda
Ria de humilde ser - entre mar e montes apresada



 


















sexta-feira, setembro 11, 2015

Anos 10






  Quadro 20
Painel/instalação

   Um homem na paisagem
                                    Tela madeira pintura a óleo

terça-feira, setembro 08, 2015

Anos 10





  Quadro 19
Painel/instalação
   Um homem na paisagem
                               Tela madeira pintura a óleo